O Silêncio dos Inocentes
Análise Simbólica
Em O Silêncio dos Inocentes, nos é apresentado os dois personagens fundamentais para o desenrolar da trama: Clarice e Hannibal Lecter.
Notamos aqui que Clarice representa a alma humana, inocente e pura; e Lecter o próprio demônio, o princípio da corrupção. O objetivo de Lecter era fazer a Clarice se sentir culpada — ele quer provar que a alma é fundamentalmente culpada e que tudo que se faz em contrário é apenas projeção por um desejo de inocência. Ele não quer mostrar o ponto de vista divino onde a alma é essencialmente inocente (a alma só pode alcançar o paraíso por ela ser essencialmente inocente, afinal). Toda culpa sobre a alma é apenas a projeção da falibilidade do próprio Cosmos.
Vemos isso lá no principio: o homem não era culpado e somente depois maculou-se. Contudo, este estado inicial é um símbolo da própria essência da inocência, que é representado pelo Verbo Divino. É o cordeiro (lamb) de Deus, é o Cristo, Filho unigênito de Deus Todo-Poderoso; se pararmos para observar a morte de um cordeiro, notamos essa inocência que sempre esteve ali. A inocência fundamental da alma está no fundo da nossa existência, ela é o primeiro ato da nossa existência. Porque no momento em que Deus deu a Sua grandeza ao “nada”, Ele concebeu o homem desse “nada”, portanto, o homem se tornou a imagem do criador e da criatura simultaneamente, e este ato criativo divino é evidentemente inocente!
Então, o esforço do Lecter (ou do diabo) é para mostrar que o acidente que aconteceu com você é a sua essência; o diabo é o próprio princípio da corrupção, então ele quer convencer a alma de que ela é essencialmente ele e que qualquer esforço para se livrar dessa culpa é em vão


